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Sustentabilidade vira grife

Caderno Nosso Mundo Sustentável – ZH – 26 de dezembro de 2011

 

Sustentabilidade vira grife

Seja em condomínios horizontais, lojas de grifes, hotelaria de alto padrão ou salões de automóveis, o conceito de luxo quer ficar amigo do ambiente. Surfando entre tendência de comportamento e viabilidade econômica, ser sustentável vira um negócio classe A

Aitaliana Gucci e a maison Louis Vuitton querem reduzir o impacto ambiental de suas atividades. A Lancôme introduz materiais biodegradáveis nos cosméticos. A Rolls-Royce busca opinião de endinheirados e exigentes clientes sobre o desempenho do Phantom elétrico. Tanto faz o produto: o conceito de luxo é repaginado com influências ecoconscientes.

Por questão de sobrevivência, chique e sustentabilidade serão palavras bem casadas na indústria do luxo, historicamente despreocupada com o ambiente. Na moda, na gastronomia, na construção civil, no turismo ou no ramo automobilístico, o conceito eco reforçará a sensação de exclusividade, vital neste mercado.

– A sustentabilidade cria um valor agregado, faz com que o cliente pague mais por se tratar de um produto diferenciado – explica Nina Braga, diretora do Instituto-E, responsável pelo projeto e-fabrics, que fornece para grifes como a Osklen matérias-primas à base de couro de peixes, lonas recicladas e algodão e seda orgânicos.

As perspectivas reforçam os prognósticos. Estudo da empresa Scarborough realizado nos Estados Unidos indica que a parcela de americanos atenta ao ambiente também é a mais propensa a consumir o luxo. Os “super verdes” equivalem a 5% dos adultos, mantêm ao menos 10 comportamentos verdes, gastam mais de US$ 500 mil em uma casa e são inclinados a comprar carros luxuosos. A tendência é este tipo de comportamento se espalhar, inclusive para o Brasil. Levantamento da MCF Consultoria e da GfK indica que, em 2012, o mercado de alto consumo crescerá acima dos 30% no país.

– A influência da sustentabilidade faz parte da evolução geral do consumo. Um carro que emite menos carbono é olhado com lupa na Europa. Influencia a decisão do comprador – aponta Marcos Wettreich, um dos precursores do comércio online no Brasil e atual CEO do portal de produtos verdes Greenvana.

Na indústria automobilística, com Mercedes e BMW na lista dos que apostam em modelos elétricos ou híbridos, luxo é conciliar requinte e acabamento com propulsão amiga do ambiente – como no Fusion híbrido.

A combinação de motor a gasolina com outro elétrico seduziu o consultor empresarial Cesar Pancinha Costa, 45 anos. Morador de Porto Alegre, não se importou em pagar R$ 130 mil pelo híbrido – mesmo que o modelo convencional custe cerca de R$ 83 mil.

– O carro não fica devendo em segurança, estabilidade e conforto. Ainda me proporciona economia de combustível e a consciência de que estou emitindo menos poluentes – afirma Cesar.

 

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