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Sucessão
O sistema familiar como o organizacional possuem uma força inconsciente e transgeracional que trabalha observando o sistema como um todo. Esta força ultrapassa gerações e gerações e carrega sua história de vida tanto familiar quanto institucional; é o que comumente falamos de inconsciente coletivo, em que o todo é a soma das partes que o compõem. Como a consciência coletiva não funciona de forma consciente, muitos dos problemas relacionados a sucessão estão diretamente relacionados a questões inconscientes então, a consciência coletiva tenta, de todas as formas, restaurar as questões não resolvidas do grupo. E nesta tentativa bem intencionada, mas não eficaz, posto que a causa da questão não foi vista e resolvida, faz com que a organização cresça “torna” e com todo tipo de seqüelas. Essa força que busca resgatar e “corrigir” algo que é sentido e percebido por todos como “tem alguma coisa que não está bem e não estamos conseguindo solucionar”, verbalizado ou não, ocorre quando as bases do sistema não estão sendo respeitadas. A consciência coletiva parece não estar interessada nestes fatos ocultos e suas razões; busca ser objetiva, direta e somente reage a acontecimentos e fatos presentes.É como se o grupo somente conseguisse vislumbrar a “ponta do iceberg” e não percebesse que uma estrutura oculta e submersa na “água” sustenta o ápice da “montanha de gelo”. A natureza segue regras e leis e, com sistemas familiares e organizacionais não poderia ser diferente. O sistema não permite que algo ou alguém, que é essencial para a organização, seja excluído. Para o sistema, aquele que vem primeiro, tem prioridade; o sistema, incontestavelmente, segue uma hierarquia queiramos ou não. A hierarquia em um sistema está definida pela data de entrada no sistema. Se aqueles que vierem depois não levarem em consideração este fato, o sistema entrará em crise. Se a ordem do sistema é resgatada, o efeito deste reconhecimento gera alívio e segurança ao grupo. Honrar o passado e aqueles que ajudaram na construção do sistema, reflete maturidade e gratidão por parte dos que hoje recebem a oportunidade de sua existência e trabalho. Esta posição não exclui novas idéias, projetos e caminhos de expansão; inclui o antigo ao novo e, na soma das partes, cujo respeito se dá por todas as vias, tanto a familia quanto a empresa caminham na mesma direção, gerarando bons lucros e resultados satisfatórios em todos os sentidos.
Lísia Brandão da Fontoura – Consultora em Psicologia

