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Interesses pessoais e interesses da empresa

Somos movidos por nossas motivações; é algo intrínseco que nos impulsiona a ir mais adiante em busca de uma conquista. Estamos conscientes que somos seres gregários e que, por mais que tentemos nos isolar, seja qual for o motivo, necessitamos em algum momento nos encontrarmos com o outro, nem que seja para comprarmos um pão na padaria da esquina. E, neste movimento interminável de isolamento e relacionamento, encontros e despedidas, ganhos e perdas, vamos “tecendo” nossa vida neste constante fluxo entre o dar e o receber. O sistema tem suas próprias regras e, as segue dentro de um equilíbrio e, este fluxo constante entre  dar e receber, é condição essencial para que haja equilíbrio nas relações. Quando alguém trabalha em algum lugar, trocas são realizadas, seja com o chefe, os clientes, com os colegas de trabalho entre outros. Em uma relação profissional, se minha percepção é de que “eu dou muito e recebo pouco”,podem ocorrer duas alternativas: Expectativa do futuro, pelo qual mantendo o desempenho ou diminuo o meu “dar” e passo a ficar desmotivado e insatisfeito. Isso gera um campo de energia negativa que impregna todo o ambiente e, se tiver mais alguém insatisfeito em sua posição, forma-se um inconsciente coletivo vibrando na mesma sintonia. O grupo tem força e, esta força tanto pode ser direcionada para o positivo quanto para o negativo. O psicólogo, pode perceber com certa perspicácia estes movimentos sutis a partir da percepção de fenômenos externos que refletem determinados estados internos. Esta percepção mais apurada torna-se, portanto, um indício de diagnóstico. Com certeza, estes “focos” de insatisfação não são revelados abertamente; estão ocultados, não expressos, mas que inevitavelmente se fazem presentes nos mínimos detalhes. Atrasos na execução das tarefas, falta de comprometimento com o trabalho proposto, intrigas e fofocas em pequenos grupos, entre outros sintomas, são diagnosticados. Trata-se de uma manifestação de boicote para consigo mesmo e com o grupo posto que o equilíbrio entre o dar e o receber foi violado. O coaching cliínico, aliado ao trabalho psicológico, desenvolverá um diagnóstico tanto do indivíduo como do grupo em questão, sugerindo vias de resolução. Não basta tratar o indivíduo de forma isolada, pertencemos a um grupo, seja ele familiar ou profissional e, estamos “impregnados” de questões relativas a estes grupos. Individualmente, a escuta psicologia é de extrema relevância para que o indivíduo possa se expressar com maior segurança suas fragilidades internas depositadas no meio em questão, avançando gradativamente para as questões grupais. Este movimento de oscilação entre o interno e externo equilibra as energias do ambiente, assim como os interesses pessoais e os da empresa.

Por Lísia Brandão da Fontoura- Consultora em Psicologia


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