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Modelos de Pensamento

É o mundo generoso?

Esta é para mim a questão essencial para toda a humanidade.

A resposta dada à questão tem consequências diferentes:

se responder "sim",

o conjunto das pesquisas, das tecnologias, etc.,

serão orientadas no sentido da abertura,

para se alcançar os verdadeiros tesouros do mundo,

se, pelo contrário, responder "não",

as suas actividades encaminhar-se -ão no sentido da rigidez.

  Albert Einstein

 

 Modelando o que procurar

 O que pode conter um modelo mental? Detalhando-se os possíveis conteúdos de um modelo mental, sabemos o que procurar e torna possível uma atuação útil sobre os nossos modelos mentais. Você pode ver isso como dispor de um metamodelo mental, isto é, um modelo para observar modelos mentais e ter melhores opções de ação, se for o caso.

 Distinções

  Quando você olha para algo, é capaz de fazer distinções, isto é, identificar objetos e coisas, individualizando-os em relação a outros. No nível concreto, essas distinções são mais ou menos padronizadas: todos sabemos o que é um CD, um carro ou uma rua. Algumas pessoas fazem uma distinção mas sem reconhecer a utilidade de algo, como uma pessoa que mora em uma fazenda e não sabe o que é ou para que serve um DVD.

 No nível abstrato, as distinções que uma pessoa faz podem ser muito diferentes. Um psicólogo freudiano, por exemplo, sabe distinguir entre ego, id e superego, enquanto que um junguiano distingue anima e inconsciente coletivo. O chaveiro ao tentar abrir uma porta e o mecânico do meu carro distinguem coisas nas fechaduras e nos motores com cuja existência eu sequer sonho.

 Este é o primeiro ingrediente de um modelo mental: as distinções que ele possibilita. Se algo existe mas eu não tenho essa distinção configurada em meus modelos, terei dificuldades de pensar a respeito.

 Significados

 O que significa uma mão fechada com o polegar estendido para cima? O que significam os sinais e placas de trânsito? O que significa a palavra "casa"? E "paz"? Nossos modelos devem conter significados para cada distinção que fazemos. Imagine um motorista que não sabe o significado de uma luz vermelha no semáforo. Os significados podem ser de várias ordens: palavras, gestos com as mãos e com a cabeça, símbolos.

 Os significados são quase sempre contextualizados. Uma pomba no chão pode significar apenas uma pomba no chão, mas a imagem de uma pomba em uma bandeira pode significar paz. Palavras com mais de um significado dependem do contexto: "bacia d'água" significa uma coisa, enquanto que "bacia dolorida" é outra coisa. Já expressões como "tudo que está ao seu redor" só podem ser interpretadas adequadamente mediante informações do momento presente.

 Os significados podem ser também pessoais. Se alguém diz "uma flor bem bonita", alguém pode imaginar uma rosa e outro uma violeta, conforme seu gosto pessoal.

 Relações e padrões

 Fulano é esposo de Sicrana e pai de Beltrano. Fulana é chefe de Sicrano, que por sua vez é subordinado a Fulana. Estas são relações entre pessoas que nossos modelos nos informam, as relações sociais. Outros exemplos: gosto-de, não-gosto-de, pertence-a.

 Depois de um raio, vem um trovão. Fogo queima a pele. A partir de experiências repetidas, detectamos padrões de acontecimentos em que uma causa provoca um efeito. Isso é essencial para qualquer um que esteja no mundo e nossos modelos podem ter milhares desses padrões..

 A capacidade de armazenar relações e padrões, que são relações entre relações,  pode ocorrer em graus variados de generalização. Uma criança pode inicialmente aprender o padrão "Fogo queima", para posteriormente especificar melhor essa relação: "Fogo e calor queimam se permanecerem em contato com a pele por um certo período de tempo". Algumas relações e padrões ensinados às crianças são convenientes para os pais mas suspeitos, como brincar com fogo e fazer xixi na cama.

 Alguns dos padrões podem se tornar crenças. Alguém que note em si um padrão de timidez, pode criar uma crença a partir dessas observações. Outros tem crendices, como acreditar que comer arroz puro faz soluçar (para mim não funciona) e que sair no sereno causa algum problema (idem).

 Tem também as superstições, como a de que quebrar um espelho traz azar e aquela famosa do gato preto. Resta saber se esses padrões entraram nos modelos mentais das pessoas por experiência ou não.

 Regras, critérios, valores e permissões

 Tem gente que não mata uma mosca, enquanto outros não se importam com a vida dos outros. Uns são fiéis. Outros educados e respeitosos por "natureza". Nossos modelos mentais contém nossos valores e permissões, que estabelecem limites para o que podemos querer e fazer. Nossos valores não são só em relação aos papéis sociais, podemos ter também referências de importância em geral. Para alguns é importante que a casa esteja limpa, enquanto outros não se inportam. Para uns, é importante planejar, enquanto outros preferem "fluir".

 Podemos ter em nossos modelos também regras, que podemos usar como referência para tomar decisões. Tem gente que nunca irá comprar carro de uma certa marca, enquanto outros só compram um certo modelo.

 Aqui também pode variar o grau de generalização das regras e valores. Quem nutre o valor de "nunca matar" terá mais dificuldades em lidar com uma barata na cozinha do que alguém que tem como valor "não matar seres humanos".

 As regras também têm um elemento dinâmico. Uma pessoa que definiu para si mesma que nunca vai comprar um certo carro pode relaxar essa regra diante de uma oportunidade de gastar menos. Isso mostra também que critérios de decisão possuem relações com outros elementos de decisão, e uma regra de maior "peso" pode prevalecer sobre outro fator.

 Pressuposições

 Enquanto os padrões, como os de causa e efeito, são derivados e extraídos da experiência, outro tipo de elemento tem por base a experiência mas tem uma natureza diferente, por ser deduzido ou projetado a partir dos padrões da experiência. Um investigador, por exemplo, não tem fatos, apenas evidências, como fios de cabelos e impressões digitais. Quando efetua deduções a partir das pistas disponíveis, essas deduções se tornam pressupostos do seu modelo do caso, do qual fazem parte também as circunstâncias e o motivo.

 Quando um economista analisa cenários futuros, está trabalhando com pressuposições; não há garantia de que o que prevê vai acontecer, apenas probabilidades. Neste caso, os padrões observados no passado são usados para fazer pressuposições sobre o andamento das coisas no futuro. Como eles têm consciência de que são cenários prováveis, em geral trabalham com vários cenários alternativos.

 Uma recomendação para pedestres ao atravessar a rua costuma ser para que, uma vez que iniciem o movimento, não retrocedam, porque o pressuposto natural dos motoristas é a projeção que o movimento irá prosseguir e ele se ajusta a isso. Ao retroceder, o pedestre contraria os pressupostos do motorista e o risco de uma colisão é maior.

 Acontecimentos antecedentes e explicações

 Os acontecimentos seguem a seqüência do tempo, de maneira que qualquer fato sempre teve acontecimentos que culminaram na situação e outros acontecimentos que vão se suceder, como conseqüência ou simples decorrência. Nossos modelos para tomar uma decisão, por exemplo, podem conter tanto os fatos que observamos que se relacionam à situação quanto pressuposições, sustentadas ou não por evidências.

 Estratégias padronizadas

 Ao longo da vida, uma pessoa passa por problemas e situações difíceis. No processo de lidar com elas, pode estabelecer certas seqüências de ações para lidar com situações novas. Por exemplo, diante de uma briga entre crianças, seu padrão de intervenção pode ser primeiro escutar as duas versões do ocorrido, elaborar ações possíveis e escolher a melhor segundo um critério de justiça. Estratégias bem sucedidas entram para os modelos mentais da pessoa.

 Certos profissionais dispõem de completas metodologias ou conjunto de estratégias para fazerem o seu trabalho, como os programadores de computador e analistas de sistemas. Outros podem ter estratégias específicas para etapas do seu trabalho, como os publicitários têm o brainstorm.

 Um caso particular das estratégias são os hábitos, que são seqüências de ações padronizadas, que repetimos diante de situações similares. O grau de escolha quanto a seguir ou não o hábito pode variar, e o hábito pode ou não ser útil, mas certamente nossos modelos podem conter vários deles.

 Impressões

 Nossos modelos mentais podem conter alguns resumos ou sínteses de várias experiências, as chamadas impressões. Se você pergunta para alguém como foi o filme, a pessoa terá que resumir tudo que viu, ouviu e sentiu em poucas palavras, para que possa lhe responder. Podemos criar impressões sobre qualquer coisa: pessoas, bichos, espécies inteiras, raças, músicas. Como você bem sabe, impressões podem ser criadas uma vez e durar pelo resto da vida.

 Emoções

 Onde entram as emoções nos modelos mentais? Na verdade, estas parecem poder estar associadas a qualquer elemento. Um gesto pode estar relacionado a um significado agressivo, e eu reagir a isso com alguma emoção. Uma música pode ter para mim o significado especial de me lembrar de um momento mágico, e assim eu me sinto feliz. Se pressuponho que o ruído lá fora é ou pode ser um perigo, posso sentir medo. Posso também não sentir nada antes de verificar. Uma simples palavra pode ativar emoções prazerosas ou desconfortáveis, conforme o modelo mental da pessoa.

 Pode ocorrer também, por exemplo, que um valor é importante para mim porque está associado a certas emoções, ele ocorreui a partir de experiências terríveis, e eu sigo o valor por receio de que aconteça de novo. Mesmo a imaginação de algo perigoso, ainda que irreal, como um dragão, pode induzir emoções.

 Assim, a princípio, emoções podem estar conectadas a qualquer elemento de um modelo mental,e muitas vezes causadas dentro do próprio modelo.

 Outros modelos de conteúdo

 As distinções descritas acima não são as únicas formas de se buscar conteúdo em modelos, isso vai depender do modelo que você aplica. Outro dia ouvi uma pessoa afirmar "sou muito id", o que não entendi muito bem sem uma explicação. Já você pode ser que entenda o que ela disse, por ter algum significado e um modelo mental mais rico dessa palavrinha. O mais importante aqui é que tenhamos ações possíveis para cada descoberta. Se você enxerga um "id" e isso lhe traz possibilidades úteis, ótimo. Esse é o tema de uma próxima matéria: possibilidades de ação para cada tipo de conteúdo e distinção que podemos fazer sobre um modelo mental.

 Como expandir sua inteligência

 Ferramentas e linhas de atuação

 Conforme descrito nas seções Suas Capacidades e Pensamento & Modelos mentais, nossa inteligência consiste essencialmente nas capacidades inatas, nos modelos mentais e nas habilidades de pensamento, que estão inter-relacionados. As capacidades inatas proporcionam ferramentas para atuação no sistema corpo/mente no sentido de ajuste, melhoria ou inovação. Isso é análogo a um aparelho, cuja estrutura é que nos permite interagir com ele: um computador tem teclado e mouse, eletrodomésticos têm seus controles.

 Dispondo de canais de interação, a atuação pode ser no nível dos modelos mentais ou no de pensamento, caracterizando duas linhas de ação distintas e portanto com abordagens próprias. Uma terceira linha surge através da percepção, que é a interação da nossa capacidade de atenção com os modelos mentais.

 Veja a seguir detalhes sobre as ferramentas e cada linha de ação, fechando com uma nota sobre modelos existentes sobre inteligência.

 Ferramentas derivadas das capacidades inatas

 Se temos capacidade de lidar com conceitos e deles extrairmos opções de ação, então podemos influenciar nosso sistema com conceitos e ações possíveis. Se temos a capacidade de imaginar de certas maneiras e isso afeta nosso comportamento, então esse recurso pode ser usado para algum propósito. Cada capacidade identificada se torna uma ferramenta de atuação, por si ou, mais provável, integrada com outras.

 Veja abaixo algumas capacidades/ferramentas e exemplos de matérias do site relacionadas a cada uma: 

  Objetivos e estratégias - a partir de uma ou mais intenções, definimos as ações para concretizá-las. Essencial, porque ter intenções é o mobilizador das habilidades.

 Criatividade: Como gerar idéias diferentes

 Comunicação: Como pedir sem pedir

 Seção Objetivos & Decisão

 Conceitos - palavras, expressões e idéias, mais úteis se com possibilidades de ação associadas.

 Cotidiano: Consciência situacional

 Comunicação: Preterizar, agorizar, futurizar?

  Visualização - o uso objetivo da imaginação.

 Energização: Como superar limites presumidos

 Comunicação: Sorrindo a 3x4

 Metáforas e analogias - inclui as capacidades de usar histórias e experiências de outros como inspiração.

 Parábolas: O caldeireiro

 Inteligência Emocional: Um fim a treze anos de pesadelos

  Outras capacidades de pensamento mais específicas:

 Suas Capacidades: Comparação

  Capacidades associadas à linguagem (ver Linguagem - indução)

 Aprendizagem: Indução do apoio à aprendizagem

 Linha 1: Intervenções nos modelos mentais 

 Esta linha envolve a expansão da inteligência por meio de ação direcionada para o conteúdo (imagens, sons, linguagem - o que está no modelo), estrutura (formatação - como é ou está o modelo,  e seu contexto mais amplo) ou organização (componentes e suas relações) dos modelos mentais. Exemplos de matérias:

 Conteúdo: Inteligência Emocional: Desimpressão do medo

 Estrutura: Inteligência Emocional: Louca, não, faltava uma diferença

 Organização: seção Mapas Mentais

 Em breve publicaremos outras opções, relacionadas ao conteúdo dos modelos mentais.

 Linha 2: Novas habilidades de pensamento

 A segunda linha de expansão da inteligência consiste em se aprender habilidades estruturadas de pensamento, com ou sem apoio externo, para propósitos específicos. Exemplos:

 Criatividade: Perfil - Walt Disney (descreve sua forma de pensar)

 Seção Pensamento Sistêmico

 Em alguns casos esta pode ser a única alternativa, para quando a forma de pensar é que está causando problemas, como no caso de uma pessoa que se julga "incompetente": ensiná-la a pensar sob múltiplos aspectos e perspectivas e a enriquecer seus modelos pode ser a solução mais útil.

 Em alguns casos, a mesma estratégia de intervençao nos modelos mentais pode ser usada como uma habilidade de pensamento, desde que aprendida até um limiar mínimo de fluência e independência de apoios externos como anotações e diagramas. Exemplos desta opção são:

 Inteligência Emocional: Medo - seu aliado para o sucesso

 Mapas Mentais

 Memorização: Memorizando pequenas coisas

 Veja também Visão de Futuro: Computadores, até quando?

 Linha 3: Mudanças na percepção

 Temos os nossos modelos mentais, mas a forma como os experimentamos depende também do que e como os percebemos. Para conhecer opções nesta linha, veja as matérias da seção Percepção.

 Modelos de inteligência

 Muitos modelos foram elaborados até hoje sobre o ser humano, juntamente com metodologias e técnicas para atuação. Deixando de lado os modelos psicológicos, que em geral usam o paradigma da cura, temos a Inteligência Emocional de Goleman e as Inteligências Múltiplas de Gardner. Das que conhecemos, a disciplina que para nós se revelou mais prática e aplicável foi a PNL (Programação Neurolingüística). Vários dos casos e das estratégias descritas neste site têm sua origem nessa sensacional disciplina, que demonstrou nossa capacidade de auto-intervenção e portanto de auto-liderança, que é usar modelos mentais para modificar os mesmos.  A PNL na verdade é um conjunto já imenso de modelos e estratégias que podem ser usadas em comunicação, terapia, ensino, vendas, relacionamento e várias outras áreas.

 Em particular, aplicamos da PNL o que chamo de efeitos especiais mentais, que consistem em usar o pensamento e a imaginação para modificar os processos internos (veja por exemplo a matéria Lidando com a ansiedade).

 Saiba mais na página Programação Neuro-lingüística (PNL). Como começou, sua definição segundo várias visões, os resultados práticos que já proporcionou e tenha suas primeiras experiências com ela.

Como funciona o pensamento

 A próxima revolução na inteligência

 As coisas que têm uma estrutura e uma organização podem ser aprendidas. Um exemplo é a linguagem. Por meio de um conjunto limitado de símbolos (letras, palavras, sinais) e regras (sintaxe), podemos formar frases que nunca vimos antes, para os nossos próprios propósitos. As linguagens que os programadores de computador usam também têm essa característica. Esportistas aprendem algumas habilidades básicas, chamadas fundamentos,  que depois combinam conforme a situação do momento para fazer gols, cestas e todas aquelas coisas.

 Se pudermos identificar uma estrutura nas nossas formas de pensar, então poderemos tornar o pensamento uma habilidade treinável. Este artigo demonstra que isso não só é possível, como já foi e está sendo feito, e você também pode fazê-lo.

 A estrutura do pensamento

 Quando éramos crianças, ensinaram-nos a efetuar operações aritméticas como 54 + 13 ou 5.678 + 446, para considerar somente a soma de dois números inteiros. O propósito era nos ensinar como somar quaisquer dois números, mediante um padrão de operações, que é feita assim:

      1

   5.678

     446  

   6.124

 - Anote um número sobre o outro, alinhados segundo as casas decimais.

 - Some os dois algarismos da direita.

 - Se a soma tem um dígito, coloque o resultado da soma abaixo da linha. Se tem dois, anote o segundo e some um à coluna mais à esquerda

 - Repita o procedimento para as demais colunas.

 O que aprendemos foi a pensar de uma certa maneira para atingir um certo resultado: um padrão de pensamento, cujos passos esssenciais estão descritos acima. Também aprendemos quando usar esse padrão, que é, por exemplo, quando da ocorrência de dois valores resultantes de duas ou mais contagens ou medições e queremos saber o valor total (ou quando a professora ordena: "Some esses dois números"!). Alguns de nós aprenderam a efetuar essas operações somente "de cabeça", ou seja, sem o apoio externo de papel e lápis, enquanto que outros precisam desses apoios, pelo menos para contas maiores.

 Uma outra forma de pensar que aprendemos é o raciocínio dedutivo. Por exemplo, dadas as duas afirmações: "Felipe mora em São Paulo" e "Andréia mora na mesma cidade que Felipe", podemos deduzir que "Andréia mora em São Paulo", desde que as duas afirmações sejam verídicas.

 Agora, um exemplo mais específico de como pensamos. Soletre a palavra "alegria". (pausa) Agora faça de novo, prestando atenção em como você fez. Quem sabe soletrar bem tipicamente faz o seguinte:

 -  Gera uma imagem interna da palavra

 -  Lê uma letra de cada vez

 Note que você tem o modelo mental da palavra, na forma de uma imagem, mas precisou fazer alguma coisa com a imagem: prestar atenção em uma letra, identificá-la, pronunciar o som da letra, prestar atenção na próxima e assim por diante. Este é um exemplo de uma habilidade: uma estratégia de percepção e pensamento associada a alguns comportamentos. Chamamos à parte que é executada mentalmente de habilidade de pensamento.

 Para que fique bem clara essa idéia (ou seja, enriquecer o seu modelo mental dela), vamos modificar só a parte do pensamento. Tente soletrar "Paranapiacaba". Talvez você, como eu, se "enrole" devido ao tamanho da palavra. Mesmo se conseguiu fazer, experimente dividir a palavra em duas: "Parana" e "piacaba". A estratégia de pensamento agora é

 -  Soletre a primeira parte da palavra (da forma tradicional)

 -  Soletre a segunda parte

 Usando essa estratégia, eu consigo soletrar a palavra inteira. Note que externamente nada mudou, o que mudou foi a estratégia de pensamento, que agora inclui uma segmentação da palavra.

 Tanto o padrão de soma quanto o de dedução podem ser aplicados a conteúdos variados, outros números ou outras afirmações, e constituem uma habilidade de pensamento. São como "programas mentais" sobre como deve ser conduzido o pensamento para se obter um resultado. Por exemplo, quem aprende a fazer malabarismo com bolas de tênis tem um "programa" mental de controle das bolas que pode ser aplicado a bolinhas de papel, limões e até pedras de gelo, como eu mesmo já fiz, apenas calibrando a estratégia para as diferenças entre os conteúdos, como o peso. Como no caso da soma, a habilidade é a mesma, o conteúdo é que muda.

 No decorrer da vida, e além das já citadas, aprendemos inúmeras dessas habilidades:

 - Como acompanhar um ritmo regular com a voz e movimentos, como ao cantar e dançar.

 - Projetar o movimento. Você certamente já viu uma criança pequena tentando pegar uma bola que rola pelo chão, sem sucesso. Mais tarde ela aprende a projetar o movimento da bola e, ao tentar pegá-la, dirige sua mão não para onde está vendo a bola, mas sim para onde a bola vai estar. Nós usamos essa habilidade de projeção todo o tempo, seja calculando onde vão estar os carros ao atravessar uma rua, jogando jogos de bola ou ao desviar-se daquele espirro de gordura quente que vem perigosamente da frigideira. Por este último exemplo, você pode também notar como podemos fazer essa projeção e tomar decisões com base nelas muito rápidamente.

 - Segmentar um objetivo em sub-objetivos. Quando alguém quer algo, como estudar uma matéria, deve decompor o objetivo "estudar" em atividades executáveis, como ler um trecho de texto, elaborar uma pergunta sobre um trecho lido ou resolver o exercício número 10. Os sub-objetivos, ou objetivos intermediários, compõem no todo  a estratégia de estudo da pessoa. Outro exemplo de aplicação dessa forma de pensar é quando você viaja de carro para longe: você deve decompor a viagem em trechos.

 Portanto, uma habilidade de pensamento é um um padrão de operações mentais, independentes de conteúdo, que iniciamos e combinamos momento-a-momento para obter os resultados que desejamos. Uma habilidade de pensamento bem treinada é executada inconscientemente ou semi-conscientemente, ou seja, não pensamos "estou fazendo uma dedução" ou "estou segmentando meu objetivo", embora possamos descrever dessa forma se perguntados ou se buscarmos isso. Toda habilidade em geral tem uma ou mais habilidades mentais associadas, que fazem com que consigamos fazer cálculos, projeções e avaliar se um movimento vai funcionar ou não.  O processo de pensar, portanto, é a combinação das habilidades de pensamento que temos instaladas para conseguir algo que queremos.

 Fazemos aqui uma distinção prática: uma estratégia de pensamento é uma descrição de como conduzir o pensamento, enquanto que a expressão habilidade de pensamento se refere a uma estratégia instalada e funcionando na mente de alguém. Este site, por exemplo, oferece várias estratégias de pensamento, cabendo a você transformá-las em habilidade pelo estudo e prática.

 Quem não sabe pensar, não consegue fazer

 Quando você se vê diante de uma situação para a qual tem uma estrutura de pensamento apropriada, naturalmente você lida com a situação. Se alguém lhe pede para somar dois números, você pergunta quais são os números, aplica a estratégia de pensamento e informa o resultado para a pessoa. Se o tamanho dos números é maior do que você consegue tratar mentalmente, você irá buscar apoio externo, como papel e caneta ou calculadora, para que consiga. Já se a pessoa lhe pede para calcular uma raiz quadrada e você não se lembra da regra ou nunca a aprendeu, não saberá o que fazer.

 Isso em geral é o que ocorre quando estamos diante de uma situação para a qual não temos uma habilidade de pensamento apropriada ou que está além dos limites das habilidades atuais: simplesmente não sabemos o que fazer. Em algumas situações, temos a habilidade bem instalada mas é preciso alguma calibração, como quando dirigimos um carro diferente: temos que nos ajustar à sensibilidade dos pedais e à posição dos comandos.

 Outra situação em que podemos ficar sem ação é quando temos uma habilidade mas não temos conteúdo para ela. Se alguém lhe pede: "Some esses dois números aqui pra mim", você não poderá fazer nada até que saiba quais são os números.

 Nas palavras dos criadores da PNL (Programação Neurolingüística):

 "Se aprender ou enfrentar  vem para você com facilidade ou dificuldade, ou se é rápido ou trabalhoso para você, isto é determinado pela estrutura formal provida pelas suas estratégias"

 "Um fato particular é de nenhuma utilidade para nós a menos que possamos processá-lo através de uma estratégia para atingir algum resultado"

 Quem não sabe, pode aprender

 Uma vez que o pensamento é uma habilidade estruturada, é "teleguiado", por assim dizer, isso significa que pode ser ensinado, aprendido e praticado até um grau desejado de competência. Como a capacidade de desenvolver habilidades é inata e disponível para qualquer um, todos podemos aprender a pensar da maneira que quisermos.

 Este site contém várias estratégias de pensamento. Veja por exemplo:

 Objetivos e Decisão: Criando centros de força

 Energização: Como superar limites presumidos

 Cotidiano: Como preencher cheques sem errar o novo ano

 Para não ficarmos reinventando rodas, que tal se pudéssemos descobrir e modelar as habilidades de pensamento de grandes gênios ou de qualquer pessoa que tenha uma boa habilidade? Foi o que Robert Dilts fez. Usando recursos da PNL, Dilts modelou as habilidades de pensamento de Walt Disney (veja Criatividade: Perfil - Walt Disney), Mozart, Freud, Aristóteles e outros gênios. Seus livros foram traduzidos no Brasil, gerando a série A Estratégia da Genialidade, da Summus. Veja indicações de livros desta série na seção Criatividade.

 Linhas de pensamento

 Como existem muitas possibilidades para habilidades de pensamento, é interessante organizá-las conforme seu propósito geral; são as linhas de pensamento. Veja algumas delas:

 Lógica - Compreende as estruturas de pensamento associados ao que é chamado de raciocínio: dedução, indução, lógica matemática. O tão discutido QI (Quociente Intelectual) é uma forma de medir o grau de habilitação de algumas habilidades de pensamento desta linha. Esta é bem trabalhada na nossa cultura, e está bastante presente nas escolas.

 Tomada de decisão - Uma vez que temos modelos mentais, temos que decidir o que vamos fazer. A forma de pensar para decidir se vamos tomar água ou se vamos nos casar são diferentes. Cada tipo de decisão que tomamos possui seu próprio modelo mental, com seus próprios elementos, parâmetros e referências. Pode ocorrer de, na falta de uma estratégia de decisão apropriada para uma situação, usarmos alguma conhecida, o que nem sempre será efetivo.

 Este é outro tópico não ensinado nos níveis fundamentais das escolas, embora muitas empresas forneçam treinamento para seus líderes. Veja a seção Objetivos e Decisão.

 Modelagem do mundo - Como seres inteligentes, criamos modelos do mundo, das pessoas e de nós mesmos, e usamos esses modelos mentais para nos guiar e conduzir pela vida (veja Modelos mentais: Somos diferentes). Como os processos do mundo são predominantemente sistêmicos, modelá-los adequadamente requer formas de pensar também sistêmicas. Dentro do que conheço, esta é uma área completamente negligenciada nas escolas, em qualquer nível.  Felizmente, já existem modelos "no mercado" para isso; veja a seção Pensamento Sistêmico.

 Criatividade - As estruturas de pensamento que criam são diferentes das que modelam o mundo ou das de tomada de decisão. Qualquer um pode criar, desde que disponha das habilidades de pensamento apropriadas. Veja um exemplo de uma forma de pensar e agir que conduz à criação em Como gerar idéias diferentes).

 Expandindo a inteligência

 Após estas considerações, espero que tenha ficado claro para você que não só é possível expandir a inteligência de uma pessoa como é perfeitamente viável que isso seja feito, seja individualmente, com ou sem facilitação, seja nas escolas. O caminho é o estudo e prática das estratégias de pensamento associadas a cada linha de pensamento (de fato, esse é apenas um dos caminhos). Eu acredito que ainda vou viver para ver as escolas atualizadas e transformadas em centros de expansão das habilidades de pensamento - e não só focadas em conhecimento.

 

 Efeitos dos modelos mentais na percepção

   Robert W. Dilts: Há uma interessante história sobre Michael Faraday, o descobridor da indução eletromagnética. Ele descobriu que, se você tem duas bobinas e uma corrente elétrica passar por uma delas, você obtém uma corrente na bobina adjacente. Ele fez isso no início de 1800 e foi muito difícil para ele provar que realmente estava obtendo uma corrente na segunda bobina. Ele trabalhou um bocado para chegar a essa conclusão. Ele publicou um artigo, e uma mulher escreveu-lhe uma carta, dizendo: "Dr. Faraday, essa é uma maravilhosa invenção. Seria possível usar esse princípio para transmitir informação através do espaço?" E ele respondeu com uma carta afirmando, sem sombra de dúvida, que seria idiotice pensar que algo assim jamais teria algum uso exceto como curiosidade de laboratório. Faraday era uma pessoa muito criativa - e a pessoa que lhe escreveu era ainda mais criativa.

 Robert B. Dilts: Crenças determinam se algo será percebido como feedback ou como fracasso. Uma das minhas histórias favoritas é sobre os dois vendedores de sapatos que foram enviados ao México. Digamos que um é Faraday e o outro é a mulher que lhe escreveu a carta. Ambos são enviados ao México para vender sapatos. Depois de um mês, Faraday escreve ao escritório e diz, "Ninguém por aqui usa sapatos. Eles usam sandálias. Estou voltando. Nenhum mercado." E ela escreve: "Ei, mandem para cá todos os sapatos que puderem. Ninguém tem nenhum. Podemos vendê-los para todo mundo!". O copo está meio cheio ou meio vazio? [...]

 Robert W. Dilts: Isto é como a pessoa que inventou o automóvel. As pessoas diziam, "Bem, é uma curiosidade interessante, mas nunca substituirá o cavalo. Em primeiro lugar, se todo mundo fosse realmente ter alguma dessas coisas, você teria que ter toneladas dessa 'gasolina', e então você teria que ter postos de gasolina em todos os lugares porque o automóvel anda somente uma distância limitada com um tanque. E então você teria que ter quilômetros e quilômetros de estradas pavimentadas, para que essas coisas pudessem rodar nelas. Isso nunca acontecerá. O cavalo pode andar em quase todo tipo de superfície e come grama, que existe em qualquer lugar. É uma forma muito mais eficiente de transporte.

Esqueçam o automóvel, o cavalo é muito melhor!

 


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