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Percepção e o Resultado - O livro

Porque mais um livro?

Esta é a pergunta: Porque mais um livro?

Se contarmos a partir do primeiro livro formalmente conhecido como tal, a Bíblia, impressa por Guttemberg , certamente, já passamos dos bilhões de livros escritos. Se contarmos se toda a forma de expressão escrita, deve ser tratada como um livro, remontamos a era pré-histórica, e buscamos os registros rupestres encontrados, escritos a milhares de anos. Fora os que o homem, por razões políticas, religiosas, ideológicas ou em nome do "desenvolvimento", destruiu. Realmente, são incontáveis os registros.

Se você planificar e estruturar todo o seu conhecimento, colocar de forma estruturada em um papel, enviar a um editor, imprimir, terá o seu livro. Mais: se buscares os teus cadernos de estudo, desde o tempo do colégio, até a tua idade adulta, terás outro. Um técnico. Se pegares todos os poemas que escrevestes, as tuas tentativas de fazer músicas, terás outro.

Caso contrário, se não registrares nada disto, as tuas idéias, teus pensamentos, correm o sério risco de morrer contigo.

Pois, aqui, faço a minha parte com meus pensamentos, minhas idéias, minhas visões. Acredito que tenha muito a acrescentar, ou ao menos, acender a luz daquele quarto escuro que todos entramos em uma determinada época da vida. O quarto das restrições, da falta de liberdade de pensamento e ação, do pensamento herdado e não do adquirido. Ao assumirmos os pensamentos dos outros, nos distanciamos, pouco a pouco de nós mesmos. Se não formos críticos as idéias e as formas de pensamento, entramos no quarto. Se não conseguirmos utilizar melhor o nosso próprio potencial de pensar, apagamos a luz...

Procuro trazer, aqui, portanto, o mapa com os primeiros passos até o interruptor. Acender a luz e achar a porta, é contigo.

  • n SE VOCÊ CONTINUAR FAZENDO O QUE SEMPRE FEZ, CONTINUARÁ OBTENDO OS MESMOS RESULTADOS QUE SEMPRE OBTEVE. SE OS RESULTADOS FOREM BONS, NÃO PARE.

LEI DO SEMPRE

(revisada)

 

Auto ajuda?

Este é um livro de Auto ajuda? Que conceito é este?

Não, não é de auto ajuda. Não incentivo este conceito da Programação Neurolingüística, apesar dele ter enriquecido muita gente. Os que escreveram, mas não os que leram.  Respeito a todos, mas sempre acabo confundindo a auto-ajuda, com aquelas entrevistas que passam durante as madrugadas nos programas destas religiões fundadas, criadas ou inventadas, utilizem-se do termo que mais lhes convir, nestes conturbados últimos 25 ou 30 anos. Não creio que este seja um conceito que possa ser utilizado de forma isolada. A compreensão da PNL, passa pelo processo de auto-ajuda, mas não pode isolar-se nele. Temos o costume de saber e, por fatores de costumes e usos que vêm desde os primórdios da civilização, "aprender com nossos próprios erros". Este outro fator lamentável da condição humana. Porque não nos habituamos a aprender com nossos acertos? Este é um fator construtivo, ou seja, se obtive uma vitória, um acerto, uma venda bem sucedida, uma infinidade de coisas positivas que nos acontecem no dia a dia, por que não posso estudar os padrões de comportamento que me levaram a acertar e repeti-los de forma a buscar novos resultados positivos? Isto não é auto-ajuda. Isto é competência e inteligência. Isto é um princípio científico. A questão é: como podes satisfazer as tuas necessidades. Como buscar a tua felicidade. Vai uma frase feita, Ser feliz, é conseguir tudo o que se quer, ser realizado, é ser feliz com tudo que conseguiu. E o ponto de partida para tudo, está em despertar, dentro de você, todas as suas capacidades, que encontram-se escondidas no quarto escuro. Vamos buscar as respostas, dentro de você e das suas capacidades mentais, físicas e intelectuais.

É neste princípio que se baseia este livro.

 

Pensamento

 "Procure pensar sempre de uma forma simples...mas não mais simples do que isto"

Albert Einstein

 

 Modelos de Pensamento

 Distinções

 Sempre que nos defrontamos com alguma coisa, quer seja objeto, pessoa, símbolo, buscamos em nossas mentes algo que as diferencie de outras conhecidas. Buscamos a sua individualização. Como batizamos tal elemento, como o diferenciamos de outros elementos.

Em um padrão abstrato, as distinções se tornam ainda mais marcadas, pois entram outras lógicas nestas distinções. O nervosismo de um goleiro, é diferente do nervosismo do jogador na hora do pênalti. Um, como dizia o famosos e impagável goleiro Manga, enxerga uma bola minúscula e uma goleira enorme, o outro, uma bola enorme, um goleiro gigantesco, e uma goleira minúscula. Podemos, ainda, citar um psicólogo freudiano, por exemplo, que sabe distinguir entre ego, id e superego, enquanto que um junguiano distingue anima e inconsciente coletivo. Um técnico em informática, ao abrir o meu microcomputador, distingue coisas cuja existência eu sequer sonho.

 Significados

Todas as simbologias contém um determinado significado, caso contrário, não haveriam de existir. Um mero dedo em riste de uma mãe para o filho, de longe, sem sequer uma única palavra dita, é mais que suficiente para que a criança pare com o que está fazendo e entre em sintonia com o que a mãe quer. O que significa a palavra carro? A palavra amor? Nossos modelos devem conter significados para cada distinção que fazemos. Imagine um motorista que não sabe o significado de uma luz vermelha no semáforo

 Os significados, de um modo geral, são contextualizados. Uma foice e um martelo, pendurados em uma parede, são apenas uma foice e um martelo pendurados em uma parede. Se cruzarmos esta foice e este martelo, o significado passa a ter uma conotação política.

 Palavras com mais de um significado dependem do contexto: "braço do rio" significa uma coisa, enquanto que "braço dolorido" é outra coisa. Já expressões como "tudo que está ao seu redor" só podem ser interpretadas adequadamente mediante informações do momento presente.

 Os significados podem ser também pessoais. Se alguém diz "uma flor bem bonita", alguém pode imaginar uma rosa e outro uma violeta, conforme seu gosto pessoal.

Relações e padrões

 José é casado com Maria, que é mão de João. João é funcionário de Gilberto, que é chefe do Joaquim. Estas são relações sociais, que nossos modelos nos informam. Outros exemplos: gosto-de, não-gosto-de, pertence-a.

 Depois de um raio, vem um trovão. Fogo queima a pele. A partir de experiências repetidas, detectamos padrões de acontecimentos em que uma causa provoca um efeito

A capacidade de armazenar relações e padrões, que são relações entre relações, pode ocorrer em graus variados de generalização. Uma criança pode inicialmente aprender o padrão "Fogo queima".

Alguns dos padrões podem se tornar crenças. Alguém que note em si um padrão de timidez, pode criar uma crença a partir dessas observações. Outros têm crendices, como acreditar que beber bebida quente no vento, deixa a cara torta, ou ler no escuro descola a retina.

 Tem também as superstições, como a de que passar por baixo da escada dá azar. Tem pessoas que passam e, quando se dão contam, voltam. Desfizeram ou aumentaram o azar. O ser humano, realmente, cria complexidade a partir de seus padrões. Resta saber se esses padrões entraram nos modelos mentais das pessoas por experiência ou não.

 Regras, critérios, valores e permissões

 Os modelos mentais de cada pessoa, contém seus limites para o que pode ou quer fazer e, a isto, chamamos de nossos valores e permissões. Existem pessoas que dão um determinado valor a vida, em geral, por exemplo: ao atropelar um cachorro, algumas pessoas entram em depressão por dias e não esquecem jamais deste trauma ou levam muito tempo para superá-lo. Outros, como aconteceu recentemente em Pelotas, cidade do interior do Rio Grande do Sul, amarram uma cadela grávida no pára-choque do carro, e saem arrastando-a pela rua até levá-la a morte. São valores diferentes. Valorizações diferentes da vida. O mesmo pode acontecer com valor da vida do ser humano. Existem assassinos, torturadores, etc. São valores e permissões diferentes para cada tipo de pessoa.

Diariamente, existem programas na televisão, mostrando pessoas que se arriscam para superar os limites do homem. Alguns conseguem, outros não. Pensemos: o ato de tentar é não dar valor a vida que se possui? Se conseguirem atingir o objetivo, o valor da vida aumenta? Vai para novo desafio? Qual o objetivo final, seguir até ver o limite? Mas o limite não é a morte? Pode isto ser tratado como experimento científico? Ou simples desvalorização do amor a vida?

Nossos valores não são somente em relação aos papéis sociais, podemos ter também referências de importância em geral. Para alguns é importante que a casa esteja limpa, enquanto outros não se importam. Para uns, é importante planejar, enquanto outros preferem "fluir".

 Podemos ter em nossos modelos também regras, que podemos usar como referência para tomar decisões. Tem gente que nunca irá comprar carro de uma certa marca, enquanto outros só compram um certo modelo.

 Aqui também pode variar o grau de generalização das regras e valores. Quem nutre o valor de "nunca matar" terá mais dificuldades em lidar com uma barata na cozinha do que alguém que tem como valor "não matar seres humanos".

As regras também têm um elemento dinâmico. Uma pessoa que definiu para si mesma que nunca vai comprar um certo carro pode relaxar essa regra diante de uma oportunidade de gastar menos. Isso mostra também que critérios de decisão possuem relações com outros elementos de decisão, e uma regra de maior "peso" pode prevalecer sobre outro fator.

Pressuposições

Existem alguns padrões, em que podemos determinar diretamente a relação de causa e efeito. Se colocarmos a mão desprotegida no fogo, vamos nos queimar, não é uma crença, é um fato. Relação de causa e efeito direta.

Ao contrário, existem alguns padrões, que não possuem esta mesma relação direta. Para um detetive, algumas evidências deixadas no local de um crime, servem de informação para que comece um processo de dedução, ou de pressuposições. A partir destas evidências, este elemento tem uma natureza diferenciada, por ser deduzido ou projetado a partir dos padrões de experiência. Quando efetua deduções a partir das pistas disponíveis, essas deduções se tornam pressupostos do seu modelo do caso, do qual fazem parte também as circunstâncias e o motivo.

Quando um economista analisa cenários futuros, está trabalhando com pressuposições; não há garantia de que o que prevê vai acontecer, apenas probabilidades. Neste caso, os padrões observados no passado são usados para fazer pressuposições sobre o andamento das coisas no futuro. Como eles têm consciência de que são cenários prováveis, em geral trabalham com vários cenários alternativos.

Uma recomendação para pedestres ao atravessar a rua costuma ser para que, uma vez que iniciem o movimento, não retrocedam, porque o pressuposto natural dos motoristas é a projeção que o movimento irá prosseguir e ele se ajusta a isso. Ao retroceder, o pedestre contraria os pressupostos do motorista e o risco de uma colisão é maior.

Efeitos de um pensamento linear

Ao tomarmos uma decisão, nossos modelos podem conter tanto fatos, como pressuposições, sustentadas ou não, por evidências. Os acontecimentos seguem uma seqüência de tempo, que gera o acontecimento e seus desdobramentos, se houverem, como conseqüência ou simples decorrência.

Sabemos que ao dirigirmos sem habilitação, podemos ser multados, em decorrência, guincham nosso carro. O guincho pode escapar do carro, e o nosso carro ser avariado. Conseqüência do fato, mais decorrência do acontecimento.

Padrão estratégico do pensamento

O abismo vai chegando e a pessoa, triunfante, acha que ela jamais cairá. Muita gente age assim - e acaba pagando caro por isso. A capacidade de identificar ameaças do ambiente e de antecipar ações capazes de neutralizá-las é parte inerente ao instinto de sobrevivência, mas muita gente, por adquirir uma percepção errada de si mesma ou do meio, passa a desconhecer os perigos. Exemplo, o executivo de alto nível que ficou sem o emprego e tem de encaminhar-se para uma nova colocação. Pode ser que ele tenha uma visão superelevada de si mesmo ou uma percepção ingênua do mundo - e aí negligencie decisões e ações que podem levá-lo a uma transição mais segura. Muitos começam a fazer exigências descabidas aos potenciais empregadores, tornam-se inflexíveis quanto às suas exigências de salários e benefícios, ficam esperando ganhos extraordinários, desenvolvem a falsa idéia de que os empregadores virão em fila bater à sua porta. Usualmente ninguém consegue ter essa força de atração - é necessário lutar pela vida.

· Você tem identificado bem as ameaças presentes e futuras aos seus objetivos?
· Está se preparando adequadamente para neutralizá-las?
· Consegue ouvir profissionais ou amigos que dão advertências quanto a perigos que você poderá enfrentar?

Enfim, aja com realismo no dia-a-dia e, principalmente, em situação de emergência.

Ao longo da vida, uma pessoa passa por problemas e situações difíceis. No processo de lidar com elas, pode estabelecer certas seqüências de ações para lidar com situações novas. Por exemplo, diante de uma briga entre crianças, seu padrão de intervenção pode ser primeiro escutar as duas versões do ocorrido, elaborar ações possíveis e escolher o melhor segundo um critério de justiça. Estratégias bem sucedidas entram para os modelos mentais da pessoa.

Certos profissionais dispõem de completas metodologias ou conjunto de estratégias para fazerem seu trabalho, como os programadores de computador e analistas de sistemas. Outros podem ter estratégias específicas para etapas do seu trabalho, como os publicitários têm o brainstorm.

Um caso particular das estratégias são os hábitos, que são seqüências de ações padronizadas, que repetimos diante de situações similares. O grau de escolha quanto a seguir ou não o hábito pode variar e, o hábito, pode ou não ser útil, mas certamente nossos modelos podem conter vários deles.

Emoções

 

Onde entram as emoções nos modelos mentais? Na verdade, estas parecem poder estar associadas a qualquer elemento. Um gesto pode estar relacionado a um significado agressivo, e eu reagir a isso com alguma emoção. Uma música pode ter para mim o significado especial de me lembrar de um momento mágico, e assim eu me sinto feliz. Se pressuponho que o ruído lá fora é ou pode ser um perigo, posso sentir medo. Posso também não sentir nada antes de verificar. Uma simples palavra pode ativar emoções prazerosas ou desconfortáveis, conforme o modelo mental da pessoa.

 

Pode ocorrer também, por exemplo, que um valor é importante para mim porque está associado a certas emoções, ele ocorreui a partir de experiências terríveis, e eu sigo o valor por receio de que aconteça de novo. Mesmo a imaginação de algo perigoso, ainda que irreal, como um dragão, pode induzir emoções.

 

Assim, a princípio, emoções podem estar conectadas a qualquer elemento de um modelo mental,e muitas vezes causadas dentro do próprio modelo.

 

 

Pensamento Sistêmico

 

Em alguns casos esta pode ser a única alternativa, para quando a forma de pensar é que está causando problemas, como no caso de uma pessoa que se julga "incompetente": ensiná-la a pensar sob múltiplos aspectos e perspectivas e a enriquecer seus modelos pode ser a solução mais útil.

 

Em alguns casos, a mesma estratégia de intervençao nos modelos mentais pode ser usada como uma habilidade de pensamento, desde que aprendida até um limiar mínimo de fluência e independência de apoios externos como anotações e diagramas.

 

Se pudermos identificar uma estrutura nas nossas formas de pensar, então poderemos tornar o pensamento uma habilidade treinável. Este artigo demonstra que isso não só é possível, como já foi e está sendo feito, e você também pode fazê-lo.

 

A estrutura do pensamento

 

Quando éramos crianças, ensinaram-nos a efetuar operações aritméticas como 12 + 37 ou 2.345 + 895, para considerar somente a soma de dois números inteiros. O propósito era nos ensinar como somar quaisquer dois números, mediante um padrão de operações, que é feita assim:

 

     1

 

  2.345

 

     895 

 

  3.240 

 

- Anote um número sobre o outro, alinhados segundo as casas decimais.

 

- Some os dois algarismos da direita.

 

- Se a soma tem um dígito, coloque o resultado da soma abaixo da linha. Se tem dois, anote o segundo e some um à coluna mais à esquerda

 

- Repita o procedimento para as demais colunas.

 

O que aprendemos foi a pensar de uma certa maneira para atingir um certo resultado: um padrão de pensamento, cujos passos esssenciais estão descritos acima. Também aprendemos quando usar esse padrão, que é, por exemplo, quando da ocorrência de dois valores resultantes de duas ou mais contagens ou medições e queremos saber o valor total (ou quando a professora ordena: "Some esses dois números"!). Alguns de nós aprenderam a efetuar essas operações somente "de cabeça", ou seja, sem o apoio externo de papel e lápis, enquanto que outros precisam desses apoios, pelo menos para contas maiores.

 

Uma outra forma de pensar que aprendemos é o raciocínio dedutivo. Por exemplo, dadas as duas afirmações: "Felipe mora em São Paulo" e "Andréia mora na mesma cidade que Felipe", podemos deduzir que "Andréia mora em São Paulo", desde que as duas afirmações sejam verídicas.

 

Agora, um exemplo mais específico de como pensamos. Soletre a palavra "alegria". (pausa) Agora faça de novo, prestando atenção em como você fez. Quem sabe soletrar bem tipicamente faz o seguinte:

 

-  Gera uma imagem interna da palavra

 

-  Lê uma letra de cada vez

 

Note que você tem o modelo mental da palavra, na forma de uma imagem, mas precisou fazer alguma coisa com a imagem: prestar atenção em uma letra, identificá-la, pronunciar o som da letra, prestar atenção na próxima e assim por diante. Este é um exemplo de uma habilidade: uma estratégia de percepção e pensamento associada a alguns comportamentos. Chamamos à parte que é executada mentalmente de habilidade de pensamento.

 

Para que fique bem clara essa idéia (ou seja, enriquecer o seu modelo mental dela), vamos modificar só a parte do pensamento. Tente soletrar "Paranapiacaba". Talvez você, como eu, se "enrole" devido ao tamanho da palavra. Mesmo se conseguiu fazer, experimente dividir a palavra em duas: "Parana" e "piacaba". A estratégia de pensamento agora é

 

-  Soletre a primeira parte da palavra (da forma tradicional)

 

-  Soletre a segunda parte

 

Usando essa estratégia, eu consigo soletrar a palavra inteira. Note que externamente nada mudou, o que mudou foi a estratégia de pensamento, que agora inclui uma segmentação da palavra.

 

 

 

Tanto o padrão de soma quanto o de dedução podem ser aplicados a conteúdos variados, outros números ou outras afirmações, e constituem uma habilidade de pensamento. São como "programas mentais" sobre como deve ser conduzido o pensamento para se obter um resultado. Por exemplo, quem aprende a fazer malabarismo com bolas de tênis tem um "programa" mental de controle das bolas que pode ser aplicado a bolinhas de papel, limões e até pedras de gelo, como eu mesmo já fiz, apenas calibrando a estratégia para as diferenças entre os conteúdos, como o peso. Como no caso da soma, a habilidade é a mesma, o conteúdo é que muda.

 

No decorrer da vida, e além das já citadas, aprendemos inúmeras dessas habilidades:

 

- Como acompanhar um ritmo regular com a voz e movimentos, como ao cantar e dançar.

 

- Projetar o movimento. (goleiro)Você certamente já viu uma criança pequena tentando pegar uma bola que rola pelo chão, sem sucesso. Mais tarde ela aprende a projetar o movimento da bola e, ao tentar pegá-la, dirige sua mão não para onde está vendo a bola, mas sim para onde a bola vai estar. Nós usamos essa habilidade de projeção todo o tempo, seja calculando onde vão estar os carros ao atravessar uma rua, jogando jogos de bola ou ao desviar-se daquele espirro de gordura quente que vem perigosamente da frigideira. Por este último exemplo, você pode também notar como podemos fazer essa projeção e tomar decisões com base nelas muito rápidamente.

 

- Segmentar um objetivo em sub-objetivos. Quando alguém quer algo, como estudar uma matéria, deve decompor o objetivo "estudar" em atividades executáveis, como ler um trecho de texto, elaborar uma pergunta sobre um trecho lido ou resolver o exercício número 10. Os sub-objetivos, ou objetivos intermediários, compõem no todo  a estratégia de estudo da pessoa. Outro exemplo de aplicação dessa forma de pensar é quando você viaja de carro para longe: você deve decompor a viagem em trechos.

 

Portanto, uma habilidade de pensamento é um um padrão de operações mentais, independentes de conteúdo, que iniciamos e combinamos momento-a-momento para obter os resultados que desejamos. Uma habilidade de pensamento bem treinada é executada inconscientemente ou semi-conscientemente, ou seja, não pensamos "estou fazendo uma dedução" ou "estou segmentando meu objetivo", embora possamos descrever dessa forma se perguntados ou se buscarmos isso. Toda habilidade em geral tem uma ou mais habilidades mentais associadas, que fazem com que consigamos fazer cálculos, projeções e avaliar se um movimento vai funcionar ou não.  O processo de pensar, portanto, é a combinação das habilidades de pensamento que temos instaladas para conseguir algo que queremos.

 

Fazemos aqui uma distinção prática: uma estratégia de pensamento é uma descrição de como conduzir o pensamento, enquanto que a expressão habilidade de pensamento se refere a uma estratégia instalada e funcionando na mente de alguém. Este site, por exemplo, oferece várias estratégias de pensamento, cabendo a você transformá-las em habilidade pelo estudo e prática.

 

Quem não sabe pensar, não consegue fazer

 

Quando você se vê diante de uma situação para a qual tem uma estrutura de pensamento apropriada, naturalmente você lida com a situação. Se alguém lhe pede para somar dois números, você pergunta quais são os números, aplica a estratégia de pensamento e informa o resultado para a pessoa. Se o tamanho dos números é maior do que você consegue tratar mentalmente, você irá buscar apoio externo, como papel e caneta ou calculadora, para que consiga. Já se a pessoa lhe pede para calcular uma raiz quadrada e você não se lembra da regra ou nunca a aprendeu, não saberá o que fazer.

 

Isso em geral é o que ocorre quando estamos diante de uma situação para a qual não temos uma habilidade de pensamento apropriada ou que está além dos limites das habilidades atuais: simplesmente não sabemos o que fazer. Em algumas situações, temos a habilidade bem instalada mas é preciso alguma calibração, como quando dirigimos um carro diferente: temos que nos ajustar à sensibilidade dos pedais e à posição dos comandos.

 

Outra situação em que podemos ficar sem ação é quando temos uma habilidade mas não temos conteúdo para ela. Se alguém lhe pede: "Some esses dois números aqui pra mim", você não poderá fazer nada até que saiba quais são os números.

 

Nas palavras dos criadores da PNL (Programação Neurolingüística):

 

"Se aprender ou enfrentar  vem para você com facilidade ou dificuldade, ou se é rápido ou trabalhoso para você, isto é determinado pela estrutura formal provida pelas suas estratégias"

 

"Um fato particular é de nenhuma utilidade para nós a menos que possamos processá-lo através de uma estratégia para atingir algum resultado"

 

Quem não sabe, pode aprender

 

Uma vez que o pensamento é uma habilidade estruturada, é "teleguiado", por assim dizer, isso significa que pode ser ensinado, aprendido e praticado até um grau desejado de competência. Como a capacidade de desenvolver habilidades é inata e disponível para qualquer um, todos podemos aprender a pensar da maneira que quisermos.

 

 

Linhas de pensamento

 

Como existem muitas possibilidades para habilidades de pensamento, é interessante organizá-las conforme seu propósito geral; são as linhas de pensamento. Veja algumas delas:

 

Lógica - Compreende as estruturas de pensamento associados ao que é chamado de raciocínio: dedução, indução, lógica matemática. O tão discutido QI (Quociente Intelectual) é uma forma de medir o grau de habilitação de algumas habilidades de pensamento desta linha. Esta é bem trabalhada na nossa cultura, e está bastante presente nas escolas.

 

Tomada de decisão - Uma vez que temos modelos mentais, temos que decidir o que vamos fazer. A forma de pensar para decidir se vamos tomar água ou se vamos nos casar são diferentes. Cada tipo de decisão que tomamos possui seu próprio modelo mental, com seus próprios elementos, parâmetros e referências. Pode ocorrer de, na falta de uma estratégia de decisão apropriada para uma situação, usarmos alguma conhecida, o que nem sempre será efetivo.

 

Este é outro tópico não ensinado nos níveis fundamentais das escolas, embora muitas empresas forneçam treinamento para seus líderes.

 

Modelagem do mundo - Como seres inteligentes, criamos modelos do mundo, das pessoas e de nós mesmos, e usamos esses modelos mentais para nos guiar e conduzir pela vida. Como os processos do mundo são predominantemente sistêmicos, modelá-los adequadamente requer formas de pensar também sistêmicas. Dentro do que conheço, esta é uma área completamente negligenciada nas escolas, em qualquer nível.

 

Criatividade - As estruturas de pensamento que criam são diferentes das que modelam o mundo ou das de tomada de decisão. Qualquer um pode criar, desde que disponha das habilidades de pensamento apropriadas.

 

Isto é como a pessoa que inventou o automóvel. As pessoas diziam, "O automóvel? Bem, é uma curiosidade interessante, mas nunca substituirá o cavalo. Em primeiro lugar, se todo mundo fosse realmente ter alguma dessas coisas, você teria que ter toneladas dessa 'gasolina', e então você teria que ter postos de gasolina em todos os lugares porque o automóvel anda somente uma distância limitada com um tanque. E então você teria que ter quilômetros e quilômetros de estradas pavimentadas, para que essas coisas pudessem rodar nelas. Isso nunca acontecerá. O cavalo pode andar em quase todo tipo de superfície e come grama, que existe em qualquer lugar. É uma forma muito mais eficiente de transporte.

Esqueçam o automóvel, o cavalo é muito melhor!"

 

 

"Modelos mentais são imagens, pressupostos e histórias que trazemos em nossas mentes, acerca de nós mesmos, outras pessoas, instituições e todo aspecto do mundo. Como uma vidraça que emoldura ou distorce sutilmente nossa visão, os modelos mentais determinam o que vemos. Os seres humanos não podem navegar através dos ambientes complexos do nosso mundo sem 'mapas mentais' cognitivos (...).

Peter Senge

 

Diferenças entre modelos mentais explicam porque duas pessoas podem observar o mesmo acontecimento e descrevê-lo de modo diferente; elas estão prestando atenção a detalhes diferentes. Os modelos mentais também determinam a nossa forma de agir. Por exemplo, se cremos que as pessoas são basicamente confiáveis, podemos conversar com novos conhecidos de modo bem mais livre do que se acreditamos que não se pode confiar na maioria das pessoas."

 

Portanto, nós, para nos conduzirmos pela vida, temos que ter em nossa mente modelos de como é e está o mundo, de como são e estão as pessoas e cada pessoa, de quem somos e o que queremos. Quando falamos, por exemplo, em "auto-imagem", estamos nos referindo a um modelo que temos de nós mesmos. Quando você tem uma "impressão" sobre alguém, isto significa que está mantendo um modelo sobre a pessoa. Com base nos nossos modelos, definimos nossos objetivos, as estratégias para atingi-los e resolvemos o que fazer quando estas não dão certo. Somos modeladores por excelência.

 

Significados de "inconsciente"

 

Dizer que modelos mentais estão inconscientes pode ter vários significados:

 

1) Não prestamos atenção neles

 

Você possivelmente não estava consciente da sensação do seu pé esquerdo em contato com a meia, o sapato ou o chão até que eu o mencionasse. De maneira geral, há várias coisas que sõ ficam inconscientes porque não direcionamos nossa atenção para elas. Um exemplo clássico é o da estratégia mental de soletração. Por exemplo, soletre "sistema"; como você faz? A estratégia de pensamento típica é gerar uma imagem interna da palavra e ir lendo cada letra. Mas não prestamos atenção nisso, nem precisamos, há uma parte do nosso pensamento que funciona melhor quando inconsciente. Imagine o que pode acontecer se você estiver dirigindo e ficar prestando atenção no que está pensando. A atenção, no caso, deve passar a maior parte do tempo buscando informações do que está acontecendo lá fora.

 

2) Não estão em forma visível

 

Uma criança em idade pré-escolar se expressa com facilidade usando a linguagem, que tem muitas regras sintáticas e exceções, além de usar certos tons de voz e não outros, em sintonia com o que quer. Para conseguir algo, pedir em certos tons de voz funciona, e em outros não. Ela fala usando regras, mas não podemos dizer que as regras estão lá, porque ela não as aprendeu na escola, e sim por observação de padrões usados por outras pessoas.

 

3) Estão realmente inconscientes

 

Uma pessoa que acredita que é "tímida" pode ter gerado essa crença há tanto tempo e isso ter se incorporado tão harmoniosamente à sua auto-imagem que ela parou de prestar atenção e, se quiser fazer isso, terá que usar uma estratégia que o possibilite ou facilite.

 

Formas de conscientização

 

Cada significado abre alternativas distintas para a conscientização de algum modelo mental que estamos usando.

 

A primeira é obviamente prestar atenção, como no caso da soletração. Uma pessoa que fica deprimida por ter uma "voz" interna que fica dizendo o que ela fez de errado pode dirigir sua atenção para o canal auditivo interno (veja  Inteligência Emocional: Depressão - doença ou capacidade?). Uma pessoa com medo pode buscar por imagens associadas à emoção. Esta alternativa de prestar atenção possui em si várias possibilidades, que estaremos detalhando a seguir em diálogos internos.

 

A segunda é, no caso de não haver regras instaladas e sim um padrão de comportamento ou expressão, a alternativa é observar vários comportamentos e detectar padrões. Um exemplo é o uso do verbo 'ser' para descrever estados, como "sou tímido com mulheres bonitas" ou "sou incapaz de X". Há pessoas que realmente tem essa crença no formato de linguagem, mas outros podem simplesmente estar se baseando em reações anteriores. Há pelo dois padrões observáveis aqui: Um é comportamental, o padrão de se comportar timidamente em certas situações. O outro é o uso do verbo 'ser' para descrever estados, que são dinãmicos, como se fossem algo permanente.

 

A terceira alternativa pode representar o maior grau de dificuldade, em particular porque a conscientização de algo profundo, possivelmente rejeitado, pode provocar emoções limitantes e prejudicar um processo de aperfeiçoamento dos modelos mentais.Para isso existem várias linhas de terapia, a hipnose e técnicas como o uso de palavras como estímulo com a subsequente observação (prestar atenção) das respostas internas produzidas. Os aspectos mais relevantes aqui são a intenção de busca e a disponibilidade de opções de ação para lidar com o que for encontrado.

 

 

Formas de representação e cuidados

 

Uma vez que conseguimos detectar algo dos nossos modelos mentais, é importante ter uma boa forma de representação do que descobrimos. Nossos modelos mentais atuais vão estar afetando nossa forma de descrever o que encontramos. Por exemplo, posso descobrir que, quando observo uma pessoa com alguma deficiência física, direciono meu foco para o defeito ou o que considero um defeito. Se a partir dessa observação eu gero um rótulo do tipo "Como sou preconceituoso", na verdade posso estar reforçando uma parte do meu modelo, ao invés de melhorá-lo. O ponto aqui é ter opções de ação objetiva para a forma de representação; se eu tenho opções de melhoria para quando descubro que "sou" algo, ótimo, caso contrário pode só servir para eu ficar chateado.

 

Quanto mais factual for a representação do nosso conhecimento, isto é, quanto mais distante da abstração e mais próximo do nível dos acontecimentos, mais serão as opções de ação. Se, ao invés de rotular-me, eu me concentrar no padrão de dirigir a atenção para certos detalhes das imagens em detrimento de outros (que é uma habilidade), posso exercitar-me em focar também outros aspectos, enriquecendo a habilidade já instalada.

 

Como nosso corpo e mente são sistemas integrados, aprender a pensar sistemicamente e usar a linguagem do Pensamento Sistêmico para representar nossas descobertas será uma boa, a melhor ou quem sabe a única opção útil.

 

Será mesmo necessário a conscientização?

 

Certas afirmações conclusivas às vezes me fazem pensar se não há alternativas. Isso se aplica aqui: será que precisamos mesmo ter consciência dos modelos mentais? Percebo uma alternativa, baseada no fato de que nossa mente é auto-organizada, isto é, interagimos com ela, mas, assim como um computador se organiza por si mesmo, ela tem lá sua ordem. A alternativa que vislumbro é o aprendizado de novas formas de pensar, como o Pensamento Sistêmico já citado. Bem aprendido, é natural que nosso sistema se reorganize em função das novas habilidades. Afinal, modelos mentais são gerados por habilidades de pensamento (veja Como são criados os modelos mentais). Nesta opção, apenas instalamos as novas habilidades e permitimos que o sistema se reorganize, enquanto observamos para ver se está indo bem e, se não estiver, fazemos então os ajustes necessários. Sugiro considerar também essa possibilidade.

 

Como eles nos apóiam e influenciam

 

Percebemos, entendemos o mundo e fazemos escolhas a partir dos nossos modelos mentais. Veja, a seguir, vários papéis dos modelos mentais na nossa inteligência e uma atividade para você comprovar isso no nível experiencial.

 

Os modelos mentais atuam na nossa inteligência exercendo as seguintes funções:

 

Guiar a percepção e a atenção - Diante de uma situação qualquer, nossos modelos nos conduzem a prestar atenção em algumas coisas em detrimento de outras. Um jornalista político, por exemplo, será atraído prioritariamente para um fato que possa virar uma notícia também política. Se ele passa por uma esquina e percebe um acidente comum, talvez não vá conferir. Mas se o acidente envolve um político famoso, ele simplesmente não vai poder deixar de lado o acontecimento. Agora imagine que junto com o político acidentado havia uma mulher que não era sua esposa...

 

Nossos modelos guiam nossa atenção de várias formas. De maneira geral, prestamos atenção no que é importante, perigoso, útil (por exemplo, para algum propósito que temos), novo, interessante ou no que a princípio nos parece ser essas coisas. Note que tudo isso é muito pessoal; o que é importante, útil ou perigoso depende dos modelos mentais e das intenções de cada um. Como disse um humorista, não existe piada velha; existe gente que a conhece e gente que não a conhece.

 

Veja a atividade abaixo para verificar melhor essas afirmações.

 

Guiar a cognição - O que significam os fótons, vibrações do ar e sensações táteis que recebemos? Vibrações fortes do ar se chamam "vento", enquanto que outras mais fracas se chamam "som".  Alguns sons são "música", enquanto que outros são "falas" e devem ser compreendidos. Ventos fracos, ou "brisas", não requerem ação, enquanto que ventos muito fortes, ou "ventanias" e "furacões", ensejam providências.

 

Sensações de dor na coxa podem ser um "problema no ciático" ou "uma dor passageira", e cada interpretação conduz a cursos de ação diferentes ou a nenhum. Uma vez tive uma "dor de dente" e a dentista abriu onde indiquei sem nada encontrar. Posteriormente a dor foi identificada como sintoma de uma sinusite.

 

Nossa cognição vai mais além. Para sabermos o que fazer, muitas vezes precisamos saber o que está acontecendo ou que acontecimentos conduziram à situação atual. Por exemplo, Se o Windows inicia anormalmente com uma tela azul de verificação de disco, posso compreender o porquê se me lembrar de que desliguei o computador sem desligar o Windows. Se não fiz isso, posso deduzir que outra pessoa o fez, ou que faltou energia. Tudo isso é guiado pelos modelos mentais, que contém conhecimentos sobre como o Windows funciona, apoiados pela lembrança de percepções e experiências .

 

Definir objetivos e estratégias - Percebemos, compreendemos e interpretamos o mundo e agora precisamos fazer algo para conseguir o que queremos. O que fazer? Como fazer? Quando fazer? É preciso mesmo fazer algo ou podemos deixar as coisas acontecerem? Será melhor buscar informações? Ou será melhor dizer alguma coisa? Em que tom de voz? Nossos modelos nos dizem o que é possível, do que somos capazes, as ações possíveis em cada situação, do que é provável que funcione e do que com certeza não vai funcionar.

 

Tomar decisões - Uma vez que temos disponíveis as ações possíveis, temos que escolher. Nossos modelos mentais nos informam o que é mais importante, o que é prioritário ou não, na forma de critérios de decisão. Por exemplo, se você é um gerente de uma empresa e está negociando com outra, o que é importante: atender ao interesse da sua empresa? Atender aos interesses de ambas as partes de forma equilibrada? Existem pessoas que nessa situação atendem prioritariamente aos seus próprios interesses...

 

Sentir - Se você escuta um som suspeito lá fora, pode ser que sinta medo. De onde vem o medo, do som? Na verdade o medo advém de você imaginar algum perigo, do modelo mental que está elaborando da situação. Se você cria coragem (usando também seus modelos), vai lá e verifica com certeza que é um gato, seu modelo é atualizado e você volta à calma.

 

Boa parte do que sentimos é influenciado pelos nossos modelos mentais. Às vezes temos consciência deles, outras vezes nem desconfiamos.

 

Teste isso e verifique por si mesmo: imagine por um momento que você está morrendo de fome e saboreando sua guloseima predileta, com a melhor boa do mundo. Eu fiquei com água na boca só de escrever... De quebra, note a capacidade que você tem de facilmente fazer de conta que está em uma situação diferente da atual, você vai usá-la a seguir.

 

Verificando a influência

 

Como uma verificação mais apurada da influência dos modelos mentais na percepção e cognição (e consequentemente nas escolhas), note o direcionamento da sua atenção ao observar a imagem a seguir com os olhos das pessoas indicadas. Preste atenção em algo ao seu redor por um segundo antes de fazer o próximo, para desativar melhor a intenção anterior.

 

 

 

a)  Alguém que adora praia e há um ano não vai a uma;

 

b) O responsável pela segurança dos hóspedes do hotel-parque que existe ali,  trabalhando;

 

c) O responsável pela segurança dos hóspedes do hotel-parque que existe ali,  de folga;

 

d) Alguém que ama praia, está estressado e há cinco anos não vai a uma;

 

e) Um fisioterapeuta especializado em  RPG (Reeducação Postural Global);

 

f)  Alguém muito curioso, que tem uma compulsão por ler tudo que há para ler

 

g) Alguém a quem foi pedido que criticasse a qualidade da fotografia, no que se refere ao enquadramento;

 

h)  Uma pessoa muito religiosa;

 

i)   Alguém que está fazendo um jardim em casa e está procurando idéias;

 

j)   Alguém com medo fóbico de alturas.

Vencendo medos perceptivos

 

Primeiras experiências em PNL

 

A situação é peculiar: do lado de fora de um parque de diversões, eu olhava a montanha-russa: um carrinho estava subindo, lentamente. Ele fez a curva ao final da subida e, ainda bem lentamente, foi se movendo em direção à próxima curva. Ao fazer esta, o carrinho despencou, as pessoas gritaram e foi então que senti o maior frio na barriga. Estranhei, porque eu estava com os pés firmes no chão, como é que podia estar reagindo ao que estava acontecendo a 50 metros com outras pessoas? Investigando meus processos mentais e minha percepção, achei uma possibilidade de explicação para o fato, bolei uma solução, testei-a e na mesma hora passou o efeito. Essa solução, que testei em outras situações semelhantes, é o que descrevo aqui.

 

Fundamentos

 

Entender o que fiz requer saber duas coisas sobre o funcionamento da nossa inteligência: os modelos mentais e a dinâmica da atenção.

 

O primeiro fato é que não operamos diretamente no mundo, e sim a partir das percepções que temos do mundo e o que fazemos com essas percepções, que compõem os nossos modelos mentais. Sem modelos mentais não poderíamos fazer nada; tente por exemplo tomar uma decisão qualquer só com o que você percebe no presente. Mesmo se for saciar uma simples sede, você precisa ter um modelo mental da sua casa ou do ambiente em que está e das opções potáveis que existem. Quando não tem, sai procurando (talvez e somente se a sede for suficientemente intensa!). Se é uma decisão de maior impacto, como casar-se, você precisa ter um modelo mental atraente da futura vida, ou certamente não se casará, a menos que obrigado, seja por si mesmo ou por outras pessoas.

 

O outro aspecto da inteligência é a dinâmica da atenção e da percepção. Agora o foco de sua atenção está neste escrito, mais especificamente nesta palavra, agora nesta, agora nesta, e neste exato momento nesta... Ou seja, sua atenção segue um fluxo no tempo. Esse fluxo pode ser mais ou menos estruturado. Quando lê, por exemplo, sua atenção é conduzida pelo nosso padrão de escrever de cima para baixo e da esquerda para a direita e é estruturada. Quem está dirigindo um automóvel pode ter a atenção estruturada ou reativa. Se o motorista segue um padrão de olhar para a frente e de vez em quando olhar os retrovisores, seu fluxo de atenção é estruturado. Quando vê um pedestre em situação perigosa, a tendência é concentrar a atenção nele e esquecê-lo assim que não for mais importante, o que caracteriza direcionamento reativo da atenção. Dirigir é uma combinação de direcionamento estruturado e reativo, como você pode notar. Outra possibilidade para o direcionamento da atenção é a escolha pura e simples. Por exemplo, você pode prestar atenção em qualquer parte deste texto, a qualquer momento, nada lhe prende ou limita exceto sua decisão de fazê-lo ou não.

 

A realidade via de regra proporciona muitos estímulos visíveis, audíveis e sensíveis, alguns dos quais podemos ignorar e outros não. A percepção de um ser inteligente, portanto, deve se alternar um bocado no dia-a-dia. Se você ao ler isto ouvir um barulho, sua atenção naturalmente vai se desviar por um momento para interpretar o estímulo e avaliá-lo, porque pode ser uma explosão ou outra ameaça ou simplesmente por curiosidade. O processamento dos estímulos que nos chegam pode ser inconsciente, isto é, nossa mente pode filtrar os estímulos que chegam ao consciente, só deixando chegar a nós os importantes. Isso tem características de habilidade, é aprendida e amadurecida, podendo ser treinada intencionalmente.

 

A característica dinâmica da atenção tem várias implicações. Por exemplo, pessoas que reagem a qualquer estímulo em geral, sem filtros de importância treinados, podem ter dificuldades de concentração em ambientes ruidosos. Já fiz e já vi outras pessoas saírem do foco e não perceberem: você está falando com ela e de repente ela vê algo e faz um comentário estranho à conversa, como se nada mais estivesse acontecendo. O nosso próprio nome é um estímulo ao qual dificilmente deixamos de responder desviando a atenção; também já vi um educador usar o nome da pessoa com freqüência ao falar com ela, o que suponho que seja uma forma de prender a atenção da pessoa. 

 

O fluxo de atenção por si também é muito, muito importante, porque há um bocado de coisas que acontecem no nível inconsciente, como por exemplo sentir os pés no chão e perceber tensões no corpo, entre outras. Para verificar isso, dê uma geral no seu corpo procurando por alguma parte tensa. Muitas pessoas não incluem, por exemplo, a testa no seu fluxo de atenção, e nem percebem que a franzem quando falam ou cantam. Esse fluxo da atenção é extremamente rápido, e às vezes só notamos quando ele não acontece, como quando estamos tão ligados em algo interessante que esquecemos todo o resto.

 

Ambos, modelos mentais e atenção são processos, e por isso não são ruins, bons nem algo entre esses extremos; são como ferramentas cuja utilidade depende da forma como são usadas. Os dois trabalham juntos para formar nossa percepção, como os pólos de um imâ, e isso tem várias utilidades. É por meio deles que conseguimos, por exemplo, nos colocar no lugar do outro e ver do ponto de vista dele, o que é chamado na PNL de posição perceptiva. Note a combinação desses dois recursos ao assistirmos um bom filme. "Entramos" no filme e passamos a viver dentro do modelo mental do filme. Para conseguirmos isso, temos que deixar de prestar atenção no nosso próprio corpo e no ambiente. Experimente assistir a um filme notando de vez em quando onde está. Acredito que foi por isso que um filme do Arnold Schwarzenegger fracassou, um que seu personagem saía de uma tela de cinema e ia para a "realidade": os espectadores eram lembrados de que estavam em um cinema, "desligando" o modelo mental do filme.

 

O problema compreendido e solucionado

 

Foi com base nessas compreensões que eu pude entender como conseguia sentir frio na barriga apenas olhando a montanha-russa, e o sucesso da minha intervenção sustenta sua validade. Descrevendo passo a passo, eu percebi que tinha feito o seguinte:

 

- Olhei a montanha-russa, com foco no carrinho.

 

- Quando ele começou a descida, eu me coloquei na posição perceptiva de estar dentro do carrinho. Ao fazer isso, mesmo que por um segundo, o fluxo de minha atenção deixou de passar pelo meu corpo e qualquer outra coisa, e o modelo mental pareceu real naquele momento

 

- Reagi à "realidade" do meu cenário interno do momento com uma reação semelhante à que teria se estivesse realmente acontecendo.

 

Devo fazer isso muito bem, porque comecei a ver o que eu veria, ouvir o que ouviria e sentir o que eu realmente sentiria se estivesse lá, apenas com menor intensidade. Uma habilidade desenvolvida, creio eu, daquelas que não se sabe quando foi aprendida.

 

Pensei então: se enquanto eu olho o carrinho eu mantiver minha referência de realidade direcionando a atenção para o contato dos pés com o chão, o frio não vai acontecer. Fiz isso e foi um sucesso imediato, não tive mais qualquer sensação incômoda.

 

Posteriormente teste novamente essa estratégia em um lugar alto, com o mesmo bom resultados. Para mim foi muito útil: imagine o que senti, com essa habilidade antes inconsciente de entrar em uma posição perceptiva, ao assistir um documentário de meia hora sobre escaladores de prédios!

 

Caminhos

 

Caso você tenha medos e frios na barriga ou em outros lugares e quiser experimentar o que fiz, há pelo menos dois caminhos. Um é esperar acontecer e conscientemente direcionar a atenção de vez em quando para as sensações nos pés ou alguma outra do momento presente. Outra é praticar essa estratégia em um contexto de treinamento e transformá-la em habilidade ou até reflexo. Para isso basta você simular situações variadas. Como você viu, com a nossa capacidade de simular realidades alternativas, você pode fazer de conta que está no Everest e treinar lá - sem sair de casa.

 

Eu só não recomendo você transformar isso em reflexo condicionado, porque vai ter momentos em que você talvez queira ter a opção de poder entrar em uma realidade paralela, como ao assistir um filme ou ler um bom romance. Afinal, queremos não reduzir nossas possibilidades, e sim expandi-las.

 

 

O pastor e o terreno baldio

 

Um pastor comprou um bom terreno, mas em péssimo estado: mato e entulho por todo lado. Pacientemente, a cada fim de semana limpava um pouco. Depois de limpo, plantou flores e árvores frutíferas e de sombra. Muitos finais de semana depois, já tinha construído uma pequena casa com varanda, e o lugar ficou realmente aprazível. Convidou então um colega religioso, para ver como tinha ficado. O colega ao ver o lugar exclamou:

- Puxa, pastor, você e Deus fizeram um ótimo trabalho aqui!

 

- Pois é. Você precisava ver quando Deus cuidava disso aqui sozinho!

 

 

 

O Efeito Borboleta

 

No filme de ficção O Efeito Borboleta (www.butterflyeffectmovie.com), o protagonista tem a capacidade de voltar ao passado e interferir nos acontecimentos. Quando ele consegue ir lá, ao retornar sua vida está bastante mudada. O eixo do filme é a sua insatisfação com alguns elementos do presente, que motiva sua volta ao passado e interferência nos acontecimentos, o regresso ao presente alterado e novamente a insatisfação, reiniciando o ciclo.

 

A base conceitual do filme é o princípio de mesmo nome da Teoria do Caos, que afirma que um sistema dinâmico pode ser extremamente sensível a pequenas influências, ou seja, uma pequena variação em seu estado em um momento pode resultar em grandes diferenças algum tempo depois. Esse princípio normalmente é ilustrado com a metáfora da borboleta, cujo bater de asas poderia provocar, nesse sistema dinâmico que é a Terra, um furacão a milhares de quilômetros.

 

Esta matéria descreve como você pode usar o princípio do Efeito Borboleta para aprofundar e enriquecer seus pensamentos e decisões.

 

Usando o Efeito Borboleta

 

Primeiro, não pressuponha que você precisa aprender algo a respeito do efeito Borboleta, você pode estar pensando de acordo com ele sem se dar conta. Isso aconteceu com o próprio autor, que escreveu O cachorro que mudou o


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